Artigo do Dia
Editorial: Os oportunistas da política ilheense
O saudoso ex-governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, costumava dizer: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, a força da lei.” Essa máxima refletia não apenas sua forma de governar, mas também o respeito e a valorização que tinha pelo povo fiel, sobretudo aqueles que davam seu suor e sangue em cada campanha.
Infelizmente, já não se vê mais políticos dessa envergadura, que soubessem reconhecer e valorizar sua base. Em Ilhéus, principalmente nas eleições dos últimos oito anos, o cenário tem sido outro: críticos e oportunistas passaram a ser mais valorizados do que os fiéis. Esses críticos, quando são fortalecidos, aproveitam para trair seus próprios grupos, buscando perpetuar-se no poder — um movimento que se repetiu na gestão do ex-prefeito Mário Alexandre.
Nos bastidores, um grupo de oportunistas chegou a simular apoio ao sucessor de Mário Alexandre, mas ao mesmo tempo conspirava contra ele. A operação da Polícia Federal contra a gestão do ex-prefeito serviu como combustível para a traição política. Com a fragilidade exposta, os mesmos que se diziam aliados passaram a especular quem seria o próximo prefeito, entre Adélia e Valderico Júnior.
Veio então o chamado “golpe político”: os que ocuparam pastas no governo de Mário, sem entregar resultados ou demonstrar competência, mudaram de lado rapidamente. Após a vitória de Valderico Júnior, passaram a atacar o ex-prefeito e, ao mesmo tempo, a exaltar o novo gestor. Curiosamente, muitos desses oportunistas, em grupos de WhatsApp, não poupam críticas ao ex, mas ainda assim ligam para ele em busca de favores.
O roteiro é conhecido: traem, criticam, bajulam e, na primeira oportunidade, tentam conquistar espaço no governo atual — alguns já conseguiram, outros vivem na tentativa de convencer o prefeito com elogios exagerados.
Na política, costuma-se dizer: “Quem não é visto, não é lembrado.” Mas em Ilhéus parece ser diferente: quem mais é visto são justamente os críticos e os oportunistas de plantão.
Ah, que saudade do estilo firme e direto de Antônio Carlos Magalhães, que sabia separar a lealdade da conveniência e jamais deixava de valorizar os que realmente estavam ao seu lado.
Antes, existiam grupos políticos fiéis aos seus princípios. Hoje, o que se vê é o interesse pessoal se sobrepondo, com a política sendo usada mais como caminho para vantagens do que como compromisso com a coletividade.












Envie seu comentário