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Itabuna: Com falta de remédios, feira abandonada e ruas esburacadas, Guinho critica Carnaval Antecipado com cachê milionário de Bell Marques

O ex-vice-prefeito de Itabuna, conhecido como Guinho, atual presidente do União Brasil no município, usou suas redes sociais para “parabenizar” — em tom abertamente irônico — o prefeito Augusto Castro pela contratação do cantor Bell Marques, por um valor superior a R$ 1 milhão, para o chamado carnaval antecipado de Itabuna. O evento   vai acontecer 22 a 25 de Janeiro 2026, circuito Sabarah – Beira rio

No vídeo publicado em sua página no Instagram, Guinho comparou a decisão  do prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo, que recuou da contratação do mesmo artista ao considerar o cachê de mais de R$ 1,2 milhão incompatível com a realidade financeira do município. No próprio vídeo, Zé Ronaldo teria sido direto: “não tem filho de Deus que faça eu pagar um valor desse a um cantor”. Já em Itabuna, segundo a crítica, o prefeito Augusto Castro “não liga para isso” e estaria disposto a pagar o valor milionário para garantir apoio político e votos antes de outubro.

A ironia se intensifica quando Guinho afirma que “ainda bem que Augusto Castro não liga para essas coisas”, porque os problemas da cidade, segundo ele, “a gente vê depois”. Em seguida, o ex-vice-prefeito enumera problemas antigos e recorrentes que continuam afetando diretamente a população: a situação precária da feira livre do São Caetano, a falta de medicamentos no Hospital de Base, os buracos espalhados por toda a cidade e outras deficiências estruturais que comprometem a qualidade de vida dos itabunenses.

Na crítica, fica claro o sarcasmo: essas demandas básicas e urgentes poderiam esperar, pois seriam resolvidas “antes da eleição, antes de outubro”. Por enquanto, a prioridade da gestão seria promover o “carnaval antecipado cultural de Itabuna”, com alto custo aos cofres públicos.

Nos bastidores políticos, a leitura é ainda mais dura. Há informações de que o evento teria um claro viés eleitoral, funcionando como instrumento de promoção política para fortalecer o nome de Andrea Castro, esposa do prefeito, apontada como pré-candidata a deputada estadual nas próximas eleições.

A crítica remete a uma prática velha conhecida da política brasileira: o “pão e circo”. Enquanto uma parcela significativa da população enfrenta dificuldades para acessar serviços básicos como saúde, infraestrutura e atendimento público digno, a gestão opta por destinar valores milionários a festas e espetáculos, que garantem visibilidade e aplausos momentâneos, mas não resolvem os problemas reais da cidade.

A ironia exposta por Guinho escancara um debate que Itabuna não pode mais adiar: quais são, afinal, as prioridades da administração municipal? Cultura é importante, lazer é legítimo, mas quando falta remédio no hospital, quando a feira está abandonada e a cidade esburacada, gastar milhões com festa deixa de ser celebração e passa a soar como provocação. O carnaval acaba em poucos dias; já o abandono, para muitos itabunenses, dura o ano inteiro.