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De quem foi a culpa pelo esvaziamento de populares na Festa de Iemanjá em Ilhéus?
Há mais de 100 anos, Salvador realiza a tradicional festa em homenagem à Rainha do Mar, Iemanjá, com planejamento anual e crescimento constante, fortalecida pelos terreiros de matriz africana e pelo povo de axé, que sempre abrilhantaram essa celebração histórica da Bahia.
Ilhéus foi a segunda cidade do estado a manter a tradição da Festa de Iemanjá, com forte participação do povo dos terreiros de candomblé, grupos de capoeira e, principalmente, com o apoio dos pescadores, que ao longo dos anos ajudaram a organizar a comemoração e manter viva a fé na Rainha do Mar.
Durante muitos anos, a festa cresceu e se valorizou, com cantigas de roda, samba, axé e rituais que reuniam grande número de adeptos e populares. A tradição era marcada por duas celebrações fortes, realizadas no bairro do Pontal e no Malhado, e mais recentemente ganhou uma terceira festa na Praia do Cristo. Além disso, os eventos sempre geraram economia, com empregos indiretos e renda para ambulantes que comercializam seus produtos.
Porém, em 2026, o que era para ser uma grande celebração se transformou em um fiasco, com forte esvaziamento de populares e, principalmente, dos adeptos dos terreiros de matriz africana. Com isso, a festa perdeu o brilho natural e a força cultural que sempre carregou.
Unificação sem planejamento e sem acordo
O esvaziamento ocorreu após uma decisão de unificar as três festas em um único evento, porém sem o devido planejamento e sem tempo hábil para organização. Segundo informações apuradas pela redação do Boca News, o prefeito Valderico Junior sugeriu a unificação com o objetivo de promover um grande evento na cidade. No entanto, os organizadores tradicionais não concordaram.
Mesmo assim, a Prefeitura realizou um evento na Avenida Soares Lopes, com banda de Salvador, na tentativa de alavancar e “abrilhantar” a festa da Rainha do Mar.
Tradições enfraquecidas
O resultado foi sentido diretamente pelos frequentadores e organizadores das festas tradicionais, que viram o evento perder sua essência. A festa do Malhado, por exemplo, que sempre foi a mais movimentada, com bandas, afoxés e capoeira, ficou praticamente restrita ao ritual das filhas de santo, sem o brilho cultural que marcava os anos anteriores.
O editor deste portal percorreu os três locais e constatou de perto a indignação popular, com críticas direcionadas à falta de apoio da Prefeitura às celebrações tradicionais, enquanto a prioridade foi dada a um show de pagode vindo de Salvador.
Ilhéus quer copiar o Rio Vermelho?
A pergunta que fica é: o desejo da Prefeitura de Ilhéus é copiar o modelo da festa do Rio Vermelho, em Salvador, concentrando tudo em um único evento?
Afinal, o que se viu no dia 2 de fevereiro foi uma cidade com uma festa enfraquecida, dividida e com baixa presença de terreiros — justamente aqueles que sustentam a tradição e a essência cultural do culto à Rainha do Mar.
Fica a pergunta: de quem foi a culpa pelo fracasso e esvaziamento da Festa de Iemanjá em Ilhéus em 2026?












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