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Ilhéus

Após discurso inflamado de Cesar Porto, vereadores acordam com enxurrada de ligações de secretários: atenderam ou ignoraram?

O clima esquentou de vez nos bastidores da política ilheense após o discurso inflamado do presidente da Câmara, Cesar Porto, direcionado ao governo do prefeito Valderico Junior.

Em tom duro e carregado de indignação, o chefe do Legislativo acusou secretários municipais de praticarem descaso com os vereadores. Segundo ele, parlamentares ligam, enviam mensagens, buscam diálogo institucional, mas são ignorados. “Parece que os vereadores estão com lepra”, disparou, numa metáfora forte para ilustrar o que classificou como desprezo por parte de integrantes da gestão municipal.

Recado com tom de ameaça?

Durante o discurso, Cesar Porto elevou ainda mais o nível das críticas ao afirmar: “Eu já vi alguns filmes dentro de casa, tô avisando”. A frase, que repercutiu imediatamente nos corredores do poder, foi interpretada por muitos como um recado velado. Nos bastidores, a leitura foi direta: uma possível alusão à cassação do ex-prefeito Valderico Reis, pai do atual gestor.

Se foi coincidência ou estratégia calculada, o fato é que a fala não passou despercebida. Política, como se sabe, vive de símbolos — e recados nunca são apenas palavras soltas.

“Não atendam mais”

Dando sequência às críticas, o presidente pediu que os vereadores da base adotassem uma postura de enfrentamento: que não atendessem ligações de secretários municipais. “Vamos ver até onde vai essa soberba”, teria dito, em claro desafio à postura que classificou como arrogante por parte de auxiliares do Executivo.

A declaração soou como um chamado à resistência institucional — ou, para alguns, como o início de uma queda de braço perigosa entre os Poderes.

Reação rápida no Executivo

Mas se a intenção era medir forças, a resposta parece ter sido imediata. Segundo fontes ligadas ao Boca News, o prefeito Valderico Junior teria marcado, com urgência, uma audiência com o presidente da Câmara e membros da diretoria do Legislativo logo após o discurso.

Coincidência ou não, vereadores amanheceram nesta quarta-feira com diversas ligações de secretários municipais, agora solícitos e dispostos a tratar das demandas parlamentares. O silêncio institucional virou uma maratona de telefonemas.

Soberba ou recuo estratégico?

A pergunta que ecoa nos corredores da Prefeitura e da Câmara é simples: houve soberba anterior ou apenas falha de comunicação? E mais — o recuo foi espontâneo ou motivado pelo temor de uma crise política maior?

Na política, a memória é seletiva e os gestos são calculados. Ontem, secretários eram acusados de ignorar vereadores. Hoje, os celulares não param de tocar.

Resta saber se o episódio servirá para amadurecer o diálogo entre Executivo e Legislativo ou se foi apenas mais um capítulo de um roteiro já conhecido: tensão pública, articulação nos bastidores e, no fim, um aperto de mãos para as fotos.

Em Ilhéus, o filme continua — e, pelo visto, todos já conhecem o final, mas insistem em ensaiar novas cenas.

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