Ilhéus
Maracatu Estrela de Serra celebra a Consciência Negra em grande cortejo pelas ruas de Ilhéus
O Maracatu Estrela de Serra realizou, nesta quarta-feira (26), um cortejo histórico pela Avenida Canavieiras, em Ilhéus, como parte das celebrações do Mês da Consciência Negra. O desfile, que levou às ruas a força da cultura afroindígena, mobilizou a comunidade e promoveu um encontro vibrante entre ancestralidade, educação e arte.
Antes de chegar ao trajeto principal, o grupo realizou duas paradas especiais em escolas municipais: a Escola Municipal Heitor Dias e o IME – Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne, onde se apresentou para cerca de 500 estudantes. As apresentações aproximaram jovens das tradições do maracatu nação, fortalecendo vínculos comunitários e ampliando o alcance educativo do projeto “Maracatu Estrela nas Escolas: A Dança como Ferramenta de Descolonização”.
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Fundado em 2016 na vila de Serra Grande (Uruçuca) pela arte-educadora pernambucana Ana Diniz, mestra e dirigente espiritual do grupo, o Maracatu Estrela de Serra carrega influências diretas do Maracatu Estrela Brilhante do Recife, onde Ana vivenciou cerca de dez anos de aprendizado e convivência com a tradição pernambucana. Em Ilhéus, o grupo reafirmou sua identidade enquanto maracatu nação, trazendo sua Kalunga — a boneca sagrada que conecta o cortejo à ancestralidade — e sua corte real, composta por figuras tradicionais, entre elas a Rainha Neide Rodrigues, descendente da linhagem do Terreiro Matamba Tombenci Neto.
O cortejo foi acompanhado pelo pulsar feminino que sustenta o grupo: batuqueiras e dançarinas de diversas cidades da região (Ilhéus, Uruçuca, Itacaré, Maraú e Itabuna) que formam o núcleo rítmico e político do Estrela de Serra. Mais do que uma apresentação artística, a participação do maracatu nas escolas e nas ruas se consolidou como uma ação de fortalecimento da identidade negra, da memória ancestral e da valorização da cultura popular.
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As atividades do projeto nas escolas — que envolvem aulas de dança, ensaios percussivos e rodas de conversa — reforçam o caráter educativo e descolonizador da proposta idealizada por Neide Rodrigues. Os encontros estimulam o reconhecimento das ancestralidades afro-indígenas e discutem temas como racismo estrutural, espiritualidade, corporeidade e resistência cultural, ampliando a consciência crítica dos estudantes.
Com grande participação do público local, o desfile em Ilhéus reafirmou o maracatu como ferramenta de transformação social, política e espiritual, reavivando tradições, fortalecendo a autoestima coletiva e criando pontes entre passado, presente e futuro.
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Ilhéus e conta com apoio financeiro da Prefeitura Municipal de Ilhéus, por meio da Secretaria de Cultura, via Ministério da Cultura – Governo Federal.












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