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Sistema de secagem de cacau criado na UESC tem patente reconhecida pelo INPI

Após um trabalho de pesquisa que durou cerca de dez anos, um sistema desenvolvido na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus, que usa o calor do sol para secar amêndoas de cacau, obteve a patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Com a promessa de reduzir custos na secagem da matéria-prima do chocolate, quando comparado ao método tradicional, o equipamento leva menos da metade do tempo para chegar ao resultado final. 

O inventor do Sistema Vertical de Secagem Solar é o professor doutor em Física Jorge Henrique Sales. Ele explica que o método tradicional das barcaças, espaços a céu aberto, onde as amêndoas são deixadas para secar ao sol e, eventualmente são reviradas para garantir um bom resultado, traz pontos negativos como a contaminação do insumo, já que o revolvimento do material é feito manualmente, além do contato com poeiras, penugens e fezes de pássaros.

Já o secador patenteado é um sistema fechado, o que reduz estes riscos, como explica o inventor. “É um secador vertical, como se fosse uma geladeira com bandejas. As amêndoas ficam nestas bandejas perfuradas. O sol transfere energia para dentro desse secador que cria uma corrente de convecção. Ao passar pelas bandejas o calor abraça as amêndoas provocando uma secagem que, se no método tradicional leva em média sete dias, neste secador, dura uma média de 3 dias”, explicou, salientando que o sistema não requer energia elétrica, já que é aquecido pelo calor do próprio ambiente. 

Na parte de cima do equipamento há um exaustor por onde o ar quente passa. “As bandejas onde as amêndoas ficam acomodadas têm pequenos furos. Daí, por meio da convecção, o ar quente, mais ‘leve’, entra por baixo do equipamento e sai pela parte de cima. Esse calor abraça todas as amêndoas provocando a secagem. Uma das principais observações que fizemos é que no método tradicional a secagem leva cerca de sete dias, já no sistema, a secagem dura em média três dias”, disse.  

Ainda de acordo com Jorge Henrique, dois secadores equivalem a 4 barcaças. O que possibilita a secagem de 300kg a 400 kg de sementes frescas. 

Ainda de acordo com o inventor, um levantamento feito por ele e por sua equipe em 2019 revelou que o custo para a construção de uma barcaça chegava a cerca de R$ 40 mil. Já para aquisição do secador, os interessados devem desembolsar de R$ 10 mil a R$ 15 mil. “Também desenvolvemos um modelo com sensor, que é capaz de regular a temperatura interna. Em se tratando da secagem do chocolate gourmet, por exemplo, que precisa estar entre 25 e 30 graus, esse é um diferencial para o produto final”, disse.

O sistema foi desenvolvido com o auxílio do programa de modelagem computacional da UESC, o que, de acordo com o inventor, foi de grande relevância para o projeto. Ele comemorou o reconhecimento do INPI e a conquista da patente. “O objetivo principal é que o produtor carente, que não tem acesso a tantas tecnologias, possa se valer dessa tecnologia mais barata, mais eficiente. É uma grande felicidade ter um trabalho de mais de 10 anos sendo reconhecido a este nível”, celebrou.  

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