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Exposição ‘Candomblé’, do fotógrafo baiano André Fernandes no Paraguai, supera recorde de público

De acordo com Carolina Paranhos, responsável pelo Instituto Guimarães Rosa (IGR) Asunción, a renomada mostra é significativa ao apresentar a religião de matriz africana – que também é cultuada por parte do povo paraguaio

Instituto Guimarães Rosa (IGR) Asunción – Embajada de Brasil, abre às portas para a galeria inédita do fotógrafo André Fernandes, recém-premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2024. Mergulhando na identidade afrobrasileira, os territórios da diáspora se encontram na exposição ‘Candomblé’, sediada no coração do Paraguai.

Paraguaios, brasileiros e culturas afrolatinas se entrelaçam no universo afrodiaspórico, através das lentes do renomado artista visual André Fernandes, nascido em Salvador. E, até agora, a mostra tem sido um sucesso.

De acordo com a chefe do setor cultural da embaixada e responsável pelo IGR-Assunción, Carolina Paranhos, a exposição do baiano bateu o recorde de público, somando, até agora, mais de 1300 pessoas interessadas em ver as obras.

“Ele teve o grande mérito de dar visibilidade à prática do Candomblé, não apenas no Brasil, mas também aqui, onde existem muitos praticantes dessa religião de base africana. A mostra, ademais, bateu recordes de público no Instituto Guimarães Rosa, com o público interessado em prestigiá-la desde a inauguração”, afirmou Carolina.

Durante a visita guiada, o público poderá se aprofundar nos costumes, ritos, cultura, tambores e espiritualidade do terreiro Ilê Axé Alaketu, em Salvador, que originou as quinze fotografias da premiada série ‘Orixás’. Os retratos, datados de 2014, retornam para sua primeira edição paraguaia, após condecorar André Fernandes pelo Concurso Internacional de Arte para Artistas Minoritários (ONU), em Genebra.

“Neste ensaio, a fotografia é uma ‘ponte’ entre o olhar artístico e a espiritualidade afrodescendente. Entre o que a sociedade ainda teme e o que a arte insiste em mostrar. Para mim, ‘Orixás’ não é sobre um registro, mas um gesto de resistência e reparação histórica. É nesse instante, entre o visível e o invisível, que nasce este poderoso e importante ensaio”, comenta o fotógrafo.

Sob o olhar do Babalorixá Indarê Sá, as fotografias carregam a tradição e o respeito aos símbolos, às vestes e à ancestralidade da religião de matriz africana. Através do desejo em preservar a memória do ‘Candomblé’, a exposição também aprofunda os costumes e a mística acerca das ‘Ounjẹ Òrìṣà – Comida de Orixá’; novo ensaio fotográfico com dezesseis obras exclusivas; à partir de alimentos produzidos por Tata ria Nkisi Douglas Santana.

Ao lado do sucesso internacional, a nova série interconecta o sagrado ao cotidiano, despertando a curiosidade dos visitantes acerca dos alimentos que reverenciam os Orixás. Assim como búzios, ferramentas e guias estabelecem a comunicação entre corpo e espírito, Fernandes destaca a importância dos alimentos, desta vez, como rito e herança viva dos territórios e narrativas da África.

Para a curadora da mostra Mai Katz, a série ‘Ounjẹ Òrìṣà’ homenageia um dos fundamentos da religião: o alimento. Embora estejam presentes no cotidiano, Mai destaca que muitas pessoas não se dão conta que alimentos que comemos no dia a dia são originários dos terreiros de Candomblé. “Não existe Candomblé sem comida; e cada comida servida em um terreiro é um gesto de respeito. Os ingredientes utilizados, os modos de preparo, utensílios e os rituais envolvem significados transmitidos oralmente ao longo de gerações, família por família. Estamos falando de uma culinária sagrada que sustenta o corpo e alimenta a alma”, revela.

Em cartaz até o dia 30 março de 2026, a mostra ‘Candomblé’ é um marco internacional da cultura afro-brasileira, em conexão com o Paraguai. Durante a estadia da mostra no parceiro do Mercosul, o fotógrafo faz conexão com a comunidade afro-paraguaia de Kamba Cuá, propondo um intercâmbio de tradições, costumes e valores sociais.

Investindo no legado da conexão Brasil – África — Paraguai, a exposição também receberá mais quinze desenhos de observação dos orixás, desta vez, de crianças das terras paraguaias da localidade do Kamba Cuá, representando os Ibejis, em ode aos orixás crianças.

“É muito bacana trazer um pouco da nossa cultura para cá. O Candomblé é muito mais do que religião. Faz parte da nossa cultura. Do povo preto. Do povo de santo. É mais um caminho que se abre para levar nosso trabalho. Eu sempre falo que é um trabalho documental e que ajuda a desmistificar esse preconceito que a sociedade brasileira tem com relação ao Candomblé. Essa oportunidade para as crianças é uma parte desse todo. É democratizar a cultura, em vez de demonizá-la”, conta André Fernandes.

Ao integrar o Circuito de Fotografia ‘El Ojo Salvaje’ (14 de novembro) e a Noite dos Museus (15 de novembro) logo na sequência, André revela que as expectativas ao redor da exposição estão otimistas. Além disso, a mostra Orixás já tem destino certo para a Europa em agosto de 2026, à convite da própria ONU.

“Estávamos conversando, eu e Mai, à respeito de onde os orixás estão me levando. Eu me sinto como um instrumento, uma ponte para que as pessoas conheçam os orixás, também através do meu trabalho. Os orixás não são belezas da ‘fotografia’. São belezas do Candomblé; e que o axé transborde. Laroyê!”, conclui.

A exposição ‘Candomblé’ é uma realização do Instituto Guimarães Rosa Asunción (IGR), com patrocínio da Itaipu Binacional, Fundação Itaú e Eurofarma.

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