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Do “Topo ao Fundo Do Poço”

 

AUGUSTÃO

A expressão “Fundo do Poço” simboliza o nível mais baixo de desespero, fracasso ou esgotamento. Chegar a este ponto é um momento crítico que muitas vezes nós ficamos nos perguntando: como eu vim parar aquí? Muitas vezes isto acontece quando não quer conversar com ninguém, não quer ouvir a verdade.

Achar que com a radicalismo se resolve tudo, quando você politiza uma coisa que é técnica, quando o grupo não tem interlocutor, agindo com ações inconsistentes, às vezes pelo fato de não saber o que quer, não tem entendimento, não tem propostas claras, não tem articulação, ou não tem um plano para construir um caminho coletivo

Assim está nossa região cacaueira, sem uma liderança capaz de guiar o grupo para encontrar uma saída honrosa para o problema da cacauicultura.

Ainda estamos vendo protestos e paralisações de rodovias, como se isso fosse resolver alguma coisa. A região já está no fundo do poço e ainda tem alguns produtores que continuam cavando mais o fundo, para se aterrar mais ainda. Resolver problemas requer inteligência, estratégias e parcerias com todos que estão fazendo parte do mesmo projeto.

Qual é mesmo, de fato, o nosso problema? É a importação de cacau? Não é. É a indústria? Também não é. Também não é o governo, o trabalhador, não é o banco e nem o mercado de chocolate. É o produtor ou é a falta de produção de cacau?

Então o problema é de todos nós que fazemos parte da infraestrutura cacaueira. Ninguém aqui vai sair do fundo do poço sozinho, sem que todos não de dêem as mãos uns aos outros. Porque o problema é de todos nós, conforme já dizia o cantor: cada macaco no seu galho.

Problemas complexos como esse que estamos vivendo atualmente não vamos resolver sem dialogar com cada setor e com cada ator, onde cada um possa apresentar suas dores ou seus argumentos.

Infelizmente estamos ouvindo discursos populistas e vazios, com soluções fáceis. Se o problema for preço de cacau, você tem que fazer manifestações. Boi não produz leite. Se quiser tirar leite, tem que ir onde tiver vaca. Se quiser lutar por preço de cacau tem que fazer protestos nas escadarias, com trio elétrico, faixas e cartazes na Bolsa de Nova Iorque. Se quer crédito ou custeio para a produção no banco. Se quer vender cacau, vai nos escritórios das indústrias. Se quer discutir importação, leis e normas, vai ao Ministério da Agricultura. Se quer discutir aumento no consumo do chocolate, vai nos governos ou chocolateiras para discutir o aumento do consumo do chocolate, Você vai nas chocolateiras ou pedir aos governos para abrirem novos mercados de chocolates ou inserir o produto na alimentação escolar. Assim, sucessivamente.

Soluções fáceis não existem. Podem até ter um resultado pontual imediato, mas que a longo prazo só trarão ainda maiores problemas. Medidas paliativas e pontuais podem até trazer algumas respostas imediatas, mas que não resolvem o problema de fato. O mundo hoje é dos inteligentes. E dos inteligentes que pensam a curto, médio e longo prazos. Neste século não há vagas para amadores e nem para os aventureiros.

A nossa região do cacau não vai sair do fundo do poço com trio elétrico e nem com uns gritando. E nem com o mercado de cacau virado de cabeça para baixo. Vamos sair do fundo do poço com incentivo ao consumo de chocolate.

Vamos precisar juntar todos os elos da infraestrutura produtiva ou da cadeia produtiva, como quiser chamar. Porque somente assim, dialogando juntos, sairemos de mãos dadas do fundo do poço. Só assim vamos chegar ao topo.

Carlos Augusto Cardoso da Silva – Augustão
Presidente do Sintrasul

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