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Consulta por R$ 50 e sem rede fixa: modelo que dá autonomia ao paciente ganha espaço

Formato sem rede credenciada e com liberdade de escolha avança como alternativa à saúde tradicional

Pagar R$50 por uma consulta com especialista e escolher livremente onde será atendido parecem condições incomuns em um sistema de saúde marcado por mensalidades elevadas, redes fechadas e longas esperas. No entanto, esse modelo já começa a ganhar espaço no país, impulsionado pela busca por alternativas mais acessíveis e flexíveis por parte da população.

A proposta rompe com uma lógica tradicional da saúde suplementar: em vez de restringir o paciente a uma rede credenciada, permite que ele escolha o profissional ou a clínica de sua preferência e receba reembolso parcial do valor pago. Na prática, isso tem reduzido o custo final das consultas e ampliado a autonomia do paciente — um movimento que especialistas apontam como tendência no setor.

Confident doctor looking at his senior patient while speaking to her

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), milhões de brasileiros seguem fora dos planos privados, seja pelo custo ou pela perda de vínculo formal de trabalho. Nesse cenário, soluções intermediárias, que combinam liberdade de escolha e menor custo, começam a ocupar um espaço antes pouco explorado.

Na Bahia, uma das empresas que adotam esse modelo é a Cheque Saúde, que iniciou operação nacional neste mês de abril. A proposta inclui consultas presenciais em rede aberta com coparticipação reduzida, além de telemedicina 24 horas, terapias online e reembolsos digitais para exames e medicamentos.

“A gente inverte a lógica do sistema tradicional. Em vez de o paciente se adaptar à rede, é o modelo que se adapta ao paciente. Ele escolhe onde quer ser atendido e paga um valor acessível, enquanto a empresa cobre parte do custo”, explica o CEO da Cheque Saúde, Jordal Matos, conhecido como Joca.

De acordo com a empresa, o usuário pode realizar consultas em mais de 20 especialidades médicas, pagando cerca de R$50, enquanto o restante do valor — limitado ao plano — é custeado pela operadora. A ausência de rede credenciada fixa também elimina uma das principais queixas dos usuários de planos tradicionais: a limitação de opções de atendimento.

“A liberdade de escolha é um dos pontos mais valorizados hoje. As pessoas não querem mais ficar presas a uma lista de clínicas ou médicos. Elas querem decidir onde e com quem vão se consultar, e isso tem se tornado um diferencial importante”, afirma Matos.

Outro fator que contribui para a adesão ao modelo é a ausência de carências longas, comuns nos planos de saúde. Em alguns formatos, o acesso aos serviços é imediato, o que atende especialmente trabalhadores informais, autônomos e famílias que não conseguem esperar meses por atendimento no sistema público.

Para o CEO da Cheque Saúde, o crescimento desse tipo de solução está diretamente ligado às mudanças no perfil do consumidor. “Existe uma demanda reprimida por atendimento rápido e acessível. Quando você oferece um modelo sem burocracia, com preço claro e liberdade de escolha, a adesão acontece de forma natural”, diz Joca.

Para quem está fora dos planos tradicionais ou enfrenta dificuldades no sistema público, a possibilidade de escolher onde se consultar e pagar menos por isso já começa a deixar de ser exceção e a se tornar uma nova forma de acesso à saúde.